O racismo institucional nas televisões e rádios do Espírito Santo

Salvo alguns veículos, cujos jornalistas conhecem minha história e têm compromisso com a divulgação do escritor local, quando quero divulgar meus livros em programas de rádio e televisão, só tenho ouvido evasivas, como: “qualquer coisa, entraremos em contato”, “vamos avaliar” e nunca entram em contato. Em jornalismo, dizem que é uma forma educada de dizer não? Por que não dizem que a pauta não interessa ao veículo? É dificil ser sincero?

Por que não dar espaço para um escritor jovem e independente que aborda o tema através da literatura?

Até quando vão preterir os autores que escrevem aqui? Vão continuar pagando pau pros autores do eixo Rio-São Paulo e autores da gringa?

Ah, já entendi…livro não dá ibope. O que dá audiência é mostrar jovem negro morto a tiros ou preso por matar, roubar, traficar, furtar ou estuprar. Falar de boas iniciativas não vende.

Os jornalistas que tentam me enrolar praticam racismo estrutural ao negar espaço para a produção de um jovem negro e periférico. Se eu fosse branco, classe média alta, sobrenome alemão ou italiano, morador da Praia do Canto, da Mata da Praia, Ilha do Boi ou da Praia da Costa, Itapoã, Praia de Itaparica, filho de político ou empresário, a conversa seria outra, não?

Não me venham falar em mimimi, vitimismo ou coisa parecida. Contra fatos, não há argumentos.

Com essas atitudes, eles mostram que seus diplomas de jornalismo valem menos que o papel higiênico com qual se limpam após fazer o número dois.

Não obstante serem empresas privadas, pautadas pela livre iniciativa, as emissoras de rádio e televisão precisam seguir o artigo 221 da Carta Magna, que assim diz:

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

Os jornalistas, a seu turno, devem observar o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, no tocante aos artigos e incisos abaixo:

Art. 6º É dever do jornalista:
I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.

Art. 7º O jornalista não pode:

III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de ideias;

Dizem que isso é ensinar padre a rezar missa.  Se assim ajo, é porque a formação dos jornalistas tem deixado a desejar e eu tenho que lembrar a jornalistas que fizeram a cadeira de ética e legislação a toque de caixa, nas coxas.

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